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Brasília, Terça Feira, 19 de Setembro de 2017
16 de julho de 2015

X ENMC: entrevista com Adriana Albuquerque e Vânia Labres

Postado por: Comunicação CFC


Por Fabrício Santos

Em poucos dias, Foz do Iguaçu (PR) receberá um dos mais importantes eventos realizados para a classe contábil brasileira: a 10ª edição do Encontro Nacional da Mulher Contabilista. Estão sendo esperados cerca de dois mil participantes, que  irão, durante os três dias de evento, trocar experiências  e assistir palestras com temas que refletem no dia a dia de milhares de profissionais brasileiros.

A programação técnica do Encontro começa, oficialmente, no dia 13 de agosto, às 9h, e contará com a palestra “Liderança focada em resultados e a estratégia da gestão de pessoas”, a ser ministrada pela Diretora da in9 – Soluções em Treinamento & Desenvolvimento e Consultoria Organizacional, Adriana Albuquerque.  A coordenadora da palestra será a conselheira do CFC, Vânia Labres da Silva.

Nesta série de matérias especiais sobre o 10º Encontro, confira a entrevista com a  palestrante e a coordenadora da primeira palestra.

Adriana Albuquerque

adriana-albuquerque

1) Para atingir os resultados, o líder deve conhecer bem a sua equipe. O que ele deve fazer para estabelecer esses relacionamentos desejáveis?

Um líder precisa, antes de tudo, estar comprometido com o seu próprio autodesenvolvimento. Somente a partir disso, é que ele desenvolve as competências necessárias para liderar qualquer equipe e isso se dá por meio do autoconhecimento e de estudos continuados. Parafraseando Alvin Toffler, escritor e futurista norte-americano, “o profissional do novo milênio é aquele que tem a capacidade de aprender, desaprender e reaprender”, inclusive no que diz respeito a si mesmo.

Atualmente o líder deve ser focado em pessoas e resultados. Como os resultados são conquistados através das pessoas, o líder de hoje é desafiado a entender muito de “gente”. Seu conhecimento técnico é pré-requisito, mas possuir maestria nas relações humanas, isto é, desenvolver a inteligência emocional é fundamental, e esse desenvolvimento é contínuo. Seguem cinco dicas do que o líder deve fazer para estabelecer bons relacionamentos com a sua equipe e garantir resultados cada vez melhores:

1. Encontros “a dois” (entre líder e cada um dos componentes da sua equipe) para de fato conhecer a pessoa e não somente o profissional. Se possível, fora do ambiente do trabalho, em um almoço ou lanche para quebrar um pouco a informalidade.

2. Fazer reuniões planejadas de integração e desenvolvimento de equipes com atividades experienciais com uma pessoa dos Recursos Humanos, aplicando dinâmicas de integração e de equipe e finalizando com uma palestra motivacional ou comportamental para comprometer a todos com a prática das novas habilidades adquiridas. Neste tipo de atividade, as pessoas revelam suas competências: conhecimentos, habilidades e atitudes e o líder terá a oportunidade de conhecer a equipe mais profundamente e saber com quem pode contar de acordo com projetos e desafios a serem enfrentados.

3. Reuniões periódicas com toda a equipe com o intuito de fazer um acompanhamento das tarefas, atividades e metas de todos. Realizar reuniões que não sejam enfadonhas mas, sim, produtivas. Para isso, devem ser devidamente planejadas com início, meio e fim.

4. Confraternizações: aniversariantes do mês, Páscoa, Natal, final de ano, etc., para estabelecer e manter vínculos afetivos. Gostamos de estar com amigos e não somente com colegas de trabalho.

5. Feedbacks imediatos e verdadeiros, baseados em fatos e que sejam frequentes como mensagens finais de motivação; feedbacks com intuito de agregar valor, corrigir e desenvolver as pessoas.

 2) Recentes pesquisas apontam que muitos profissionais têm deixado o cargo de liderança nas empresas em busca de melhor qualidade de vida. É possível ter cargo de liderança e qualidade de vida? Uma coisa exclui a outra? Seria essa uma tendência?

Sim, é possível ter cargo de liderança e qualidade de vida, desde que o líder se comprometa em criar e manter esse equilíbrio e a corporação da qual ele faz parte respeite essa decisão. Caso contrário, isso de fato é preocupante, pois, em um mundo altamente competitivo como o nosso, as empresas baseadas no sistema capitalista que visam lucro acima de qualquer coisa sugam o profissional até a última gota e este, para se manter no emprego e no cargo, se doa de corpo e alma, prejudicando a sua vida pessoal, social, familiar e acabando literalmente com a sua saúde. É uma questão de escolha e toda escolha tem perdas e ganhos. O profissional precisa priorizar o que de fato tem importância fundamental em sua vida. Mas infelizmente a grande maioria só se dá conta desse fato quando já está em um estágio bem avançado de prejuízo em relação a sua saúde e aos seus relacionamentos, isto é, a sua qualidade de vida.

3) Qual é o maior desafio do líder?

Mobilizar pessoas em prol de um objetivo comum a todos. Entusiasmar as pessoas para que elas se comprometam. Fazer com que elas entrem em ação para cumprir a missão e visão da empresa por meio dos seus princípios e valores – Diretrizes do Planejamento Estratégico. Trocando em miúdos: fazer com que as pessoas façam e façam com entusiasmo o que de fato precisa ser feito para que as empresas tenham melhores resultados.

Vânia Labres

PRESIDENTE CRCTO (3)

1) A prática do voluntariado pode formar bons líderes?

Sim, Com certeza. Com o voluntariado, aprendemos a trabalhar com paixão. E bons líderes são aqueles apaixonados que possuem visão motivadora, estabelecem valores claros e conseguem mobilizar as pessoas em torno de uma missão.

O que atrai um voluntário e o mantém estimulado é um propósito instigante e desafiador, uma causa com a qual ele se identifica. Em muitos projetos voluntários, desenvolvem-se e são descobertos líderes natos, que, além da paixão, motivam e buscam de forma autêntica atingir os objetivos de todo um grupo.

2) Qual a sua avaliação do crescente aumento da participação da mulher nas empresas contábeis?

É fato que a participação das mulheres nas empresas contábeis é uma crescente. Se verificarmos no site do CFC, podemos constatar que o número de contadores e contadoras está se equiparando, e estamos chegando aos 50% de mulheres profissionais da contabilidade. Contudo ainda somos poucas em cargos de liderança e gestão.

Podemos verificar que, até o presente momento, só tivemos uma presidente mulher no CFC e ainda são poucas as mulheres presidentes dos Conselhos Regionais de Contabilidade; em alguns estados nunca houve presidente mulher.

Percebo nos encontros e reuniões que ainda são muitos os homens sócios dos escritórios de contabilidade. Mas como citei anteriormente, é um processo crescente. Acredito que a mulher está buscando o seu espaço e mostrando sua eficiência e, em alguns poucos anos, veremos este cenário mudar.

3)Como a senhora avalia a participação da profissional da contabilidade em cargos de liderança?

Avalio que o cenário atual é de avanço, mas penso que precisamos disputar mais cargos de liderança nas empresas e nos órgãos públicos. Estar mais presentes nos poderes Legislativo e Executivo. Sei que já abrimos muitas portas e atuamos em áreas de grande destaque, como proprietárias de empresas de contabilidade, em áreas acadêmicas, na diretoria de grandes corporações, mas os números ainda são  inferiores ao numero de homens. Esta mudança está acontecendo, mas o ritmo ainda é muito lento.

 


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